segunda-feira, 27 de julho de 2026

Moda Center e Polo de Confecções traçam estratégias para levar sua moda ao mercado internacional


A internacionalização das empresas do Polo de Confecções de Pernambuco ganhou um capítulo decisivo. Durante o 2º Fórum NTCPE Summit, realizado na última terça-feira (21) em Santa Cruz do Capibaribe, líderes do setor, empresários e representantes governamentais firmaram o compromisso de criar uma agenda permanente de exportação para a produção têxtil do Agreste.

Sediado no Moda Center — maior centro atacadista de confecções da América Latina —, o encontro debateu estratégias para expandir as marcas locais para além das fronteiras nacionais. O gigante das feiras, que semanalmente atrai milhares de compradores de todo o Brasil, passa a ser visto também como um valioso ponto de partida e vitrine estratégica para impulsionar a moda pernambucana no exterior.


Preparo e planejamento para o mercado externo

Liderada pelo Núcleo Gestor da Cadeia Têxtil e de Confecções em Pernambuco (NTCPE), a iniciativa atuará no mapeamento de confecções prontas para exportar, organização de missões comerciais, participação em feiras internacionais e incentivo à formação de consórcios empresariais. A articulação reúne forças com Adepe, Sebrae, ApexBrasil, Abit, Governo de Pernambuco e o Moda Center.

Para o diretor-presidente do NTCPE, Pedro Miranda, o evento marca o início de uma caminhada contínua:


"A partir deste fórum, temos o compromisso de construir um programa específico para as empresas pernambucanas. Exportar é um trabalho de médio e longo prazo que exige preparo, planejamento e mudanças na estrutura do produto e na cultura da empresa."

Com o apoio do Marco Pernambucano da Moda, o núcleo já enxerga oportunidades em países latino-americanos, como a Venezuela, identificados após contatos na Feira Internacional da Indústria Têxtil (Febratex).

Para a diretoria do empreendimento, o fórum sinaliza um momento histórico de maturação da cadeia produtiva local. O síndico do Moda Center, Tales Nery, enfatizou que transformar o Polo em uma plataforma exportadora é a realização de uma meta estratégica para o desenvolvimento econômico de toda a região.


"Estruturar uma base e uma infraestrutura sólida voltada à exportação aqui no Agreste sempre foi o grande sonho do nosso setor. O Moda Center já é a maior vitrine do comércio atacadista do país, e o nosso próximo salto natural é preparar o pequeno e o médio confeccionista para o mercado externo. Ter uma casa pronta, com logística, capacitação e suporte para internacionalizar a nossa produção, é o caminho para garantirmos a competitividade e a longevidade dos nossos negócios no cenário global", declarou Tales Nery.


Avanço das importações pressiona por visão global

O movimento em direção ao comércio exterior ganha urgência diante do avanço das importações digitais e da concorrência estrangeira. O presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel, destacou que o setor precisa expandir horizontes.


"O mercado não é mais nosso, o mercado é do mundo. Precisamos parar de depender apenas do mercado interno e buscar capacidade de agregar valor e construir marcas fortes globalmente", defendeu Pimentel.


O papel do Moda Center e o apoio em infraestrutura

A inserção de um gigante logístico e econômico como o Moda Center nas discussões fortalece a visibilidade do polo. O centro atacadista, que já recebe compradores internacionais pontuais, surge como o ecossistema ideal para testar a aceitação de produtos, padronizar coleções e qualificar pequenos e médios produtores que desejam dar o salto para o comércio exterior.

A infraestrutura estadual também tem papel fundamental nesse fluxo. Presente ao fórum, a secretária de Desenvolvimento Econômico, Danielle Jar Souto, ressaltou os investimentos estaduais superior a R$ 1,16 bilhão em rodovias ligando polos como Santa Cruz do Capibaribe, Toritama e Caruaru aos grandes eixos logísticos, além do acesso facilitado ao Porto de Suape.


Histórias reais inspiram novos exportadores

O fórum contou ainda com relatos práticos de quem já vive a rotina das vendas internacionais:

Wilian Volf (Volf Bobinas Têxteis): Destacou que a exportação deve ser construída gradualmente como um complemento estratégico do negócio. A empresa atua em Pernambuco há 15 anos e atende mercados como México e Portugal.

Mércia Moura (Marie Mercié): Com mais de 40 anos de história, enfatizou que a grande virada de chave ocorre dentro da fábrica antes do envio das peças. "É preciso construir uma marca forte, organizar processos e investir em gestão. Sozinha, nenhuma empresa chega longe", pontuou.


Vera Carvalho (Iska Viva): Confeccionista atuante no Moda Center, compartilhou sua experiência prática como empresária da região que já deu passos concretos no mercado externo. Ela pontuou que ter o Moda Center como vitrine foi essencial para estruturar sua marca e provar que a produção local tem padrão de qualidade e apelo competitivo para conquistar clientes internacionais.



O próximo passo da moda pernambucana

Com o encerramento do Summit, o recado final ficou claro: a exportação deixou de ser um sonho distante para se tornar uma necessidade estratégica. Com a união de entidades, investimentos em infraestrutura e o peso produtivo de polos como o Moda Center, as confecções de Pernambuco preparam o terreno para mostrar ao mundo a força, o design e a qualidade da moda feita no Agreste.


Texto por Jandson Araújo - Analista de B.I do Moda Center.